Love is all we need
Katie Grand não está mesmo de brincadeira. A terceira edição da Love, além de contar com as tão faladas oito capas e um editorial com super modelos nuas, também nos mostra um editorial com alguns dos melhores acessórios da temporada e, claro, mais um pouco de nudez pra apimentar ainda mais a revista. As modelos fotografadas por Angelo Pennetta foram Pixie Geldoff, Lily Donaldson, Kendra Spears, Raquel Zimmermann, Natasha Poly, Sharon Kavjian, Lindsey Wixson, Hannah Holman, Mariacarla Boscono, Karen Elson, Stella Tennant, Kasia Struss, Kelly Brook, Agyness Deyn, Bar Refaeli, Alice D, Ginta Lapina e Dorothea Barth Jorgensen. O styling ficou por conta de Victoria Young, Sally Lyndley e Phoebe Arnold. Um verdadeiro culto às modelos. Acima, um pouco desse resultado.
Bom, a vendagem já está mais que garantida, né? E a Love já tem tudo pra se tornar um clássico da moda.
//essa edição em especial me fez lembrar também da exposição “The Model as Muse: Embodying Fashion”, que explora a relação entre a moda e os ideais de beleza criados por ela. A exibição ocorreu entre maio e agosto de 2009 no Metropolitan Museum of Art e foi focada em modelos icônicas do século XX (de 1947 a 1997) e na capacidade que elas têm de inspirar e projetar a moda de suas respectivas épocas. Abaixo, um vídeo com imagens da exposição:
Ah, e vale a pena também uma olhada no site da Love. O blog deles tem várias fotos incríveis.
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É incrível como a moda consegue mudar certos padrões de gosto e tornar itens antes odiados em última tendência, né? Eu costumo achar que (quase) nenhuma roupa ou acessório é intrinsecamente feio, que sempre depende de quem, de como e de quando se usa.
Acho que esse é meio que o caso das babuches (ou clogs), que depois do desfile de verão 2010 da Chanel, já tem aparecido em editoriais e até na capa da Vogue UK, nos pés da it girl Alexa Chung.
Mas olha, eu espero sinceramente que essa moda não pegue.
Body Conscience
Essa foi Katie Grand nos surpreendendo mais uma vez com o editorial intitulado “Body Conscience”, da terceira edição da revista Love. Além das oito capas com as modelos Kate Moss, Naomi Campbell, Natalia Vodianova, Amber Valletta, Daria Werbowy, Lara Stone, Kristen McMenamy e Jeneil Williams (wow!), a dupla Mert & Marcus preparou também editoriais com as musas revelando tudo, literalmente. A ideia foi basicamente pegar modelos de idades diferentes e pergunta-las sobre suas medidas e como elas se sentem a respeito do próprio corpo. Aqui a gente deixa vocês só com Kate, nossa musa mor.
Ousado? Muito. Apelativo? Talvez para quem ache que moda tem apenas a ver com roupas. Mas pra mim a Love é uma celebração da moda no mais profundo sentido da palavra e Katie Grand é gênia.
E mais uma vez deixo a reflexão colocada por Robert Altman em Prêt-à-Porter: “it’s not about what to wear, but how to think about what we want and need from fashion”.
All the single ladies
Samantha Fox também já sabia
Anos 00
Anos 80/90
Pelo menos agora somos bem mais discretos nos detalhes e nas lavagens, né? Mas eu ainda espero a volta dos trash jeans decorados!!
Mas assim como Brandon é o nosso rei do double denim, quero decretar Samantha Fox a rainha, porque isso aqui é um verdadeiro clássico:
E o melhor é que ela tinha a manha de usar isso ainda nos anos 80, ou seja, antes de Brandon. Aprendam com Samantha!
T by Alexander Wang
Da arte de transformar peças básicas de algodão em itens de puro desejo:
É por essas e outras que a moda tanto nos encanta, não é mesmo?
Está tudo a venda aqui.
Prêt-à-Porter
Filme injustamente desprezado dentro da cinematografia de Robert Altman, Prêt-à-Porter (1994) é essencial para os amantes de cinema e de moda. O filme foi um dos primeiros a desvendar e desglamourizar o mundinho fashion, mostrando de forma crítica e muito bem humorada (as cenas das pessoas pisando a todo tempo em cocô de cachorro são geniais) os bastidores da badalada semana de moda de Paris. Dentro das leituras possíveis do filme, dá para traçar um perfeito panorama da moda da época, das tendências, da ganância, e crueldade do meio, além de deixar uma grande reflexão no ar sobre a moda além da superfície. Ainda podemos nos deliciar com as aparições de personalidades reais como Christian Lacroix, Jean Paul Gaultier, top models do naipe de Carla Bruni e Naomi Campbell, e celebridades como Cher e Bjork.
O filme respira moda e a todo tempo faz referência a outros filmes que também flertam com o assunto, como Blow-Up (Antonioni, 1966) e Cinderela em Paris (Stanley Donen, 1957). “They’re about to break into the Bonjour, Paris number from Funny Face, don’t they?”, diz a repórter sem noção interpretada por Kim Basinger.
Mas para além das referenciações, uma das coisas que mais impressiona é a visão tão a frente de seu tempo que Altman nos propõe. Isso fica claro durante a sequencia final do filme, quando durante o tão esperado desfile da estilista fictícia Simone Lo aparecem modelos completamente nuas, mas sem conotação sexual, desfilando ao som de uma música que diz: “You’re so pretty the way you are…”. A partir disso, seguem-se os seguintes questionamentos: Qual o futuro da moda? O que a gente realmente quer e precisa? O que é novo?
E não é que foram essas as questões que Hussein Chalayan, mais de dez anos depois do lançamento do filme, tentou responder no seu desfile de primavera de 2007?
Essa cena final do filme me fez lembrar também de dois clipes do ano passado que resolveram, de certa forma, brincar com a moda. Esses são pra quem não sai por aí sem roupas, como diria a Maria Prata.
E olha como a Lady Gaga me persegue: apareceu uma mocinha no filme usando uma roupa de ursinhos do Jean Charles de Castelbajac que rapidamente me lembrou da roupa de Kermit, também do Castelbajac, que ela usou em alguma ocasião:
Outra riqueza do filme é a trilha sonora totalmente composta de músicas sobre moda, indo de Grace Jones a Right Said Fred. Destaque para o trechinho do clipe do Robert Palmer que passa em uma das cenas entre Julia Roberts e Tim Robbins, um dos melhores clipes fashion ever!
E os questionamentos finais do filme, depois das provocativas fotos da terceira edição da Love (primeira foto), persistem: O que é novo? O que a gente quer e espera da moda?
Look do estilista
Por que será que os estilistas, pessoas que se preocupam tanto com moda e com o que a gente veste, parecem ser tão alheios às suas próprias roupas? Isso praticamente se tornou um mito da profissão, assim como médicos devem ter uma letra ininteligível e artistas devem ser excêntricos, estilistas não devem se preocupar com suas próprias roupas. Às vezes parece que eles trabalharam tanto para criar tudo aquilo que nem tiveram tempo de escolher o que vestir, daí apenas jogaram um jeans e uma camiseta no corpo e foram lá cumprir as formalidades.
Porém, essa estratégia de isenção através das próprias roupas parece ter mais a ver com o desejo de que sua própria figura não se sobreponha à sua criação. Afinal, como criadores de sentido que são, sabem como ninguém o poder que uma roupa tem de comunicar, e o que deve estar em jogo ali não é o seu estilo, mas as propostas mostradas na passarela.
Ou talvez eles estejam tão cansados de ver moda 24 horas por dia que decidem se libertam um pouco de toda a artificialidade que é tão própria do meio. Muitos deles também são muito tímidos e não curtem aparecer.
Mas quem pode culpar o Alexandre Herchcovitch ou o Alexander Mcqueen por serem super despojados depois de ver aquelas obras primas que eles são capazes de construir? Acho que isso faz mais parte do mito ainda: quanto mais genial, menos preocupado com a própria imagem.
Mas o mito nem sempre é verdade. Uma grande parte dos estilistas se preocupa, e muito, com que vão vestir. Tem, por exemplo, aqueles que são a personificação da marca, como a Donatella para Versace, e a Rita Comparatto e o Dudu Bertholini para a Neon:
E os que são verdadeiras celebridades, que fazem de sua pequena aparição ao final do desfile um espetáculo à parte:
Outros criam verdadeiros uniformes:
Mas o que será que o Marcelo Sommer, Do Estilista, acha de tudo isso? humrs








































