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Uma breve retrospectiva dos japoneses em Paris

outubro 4, 2010

Rei - Miyake - Yohji

Os estilistas japoneses foram responsáveis por uma verdadeira revolução na moda nos anos 80. Ainda nos anos 70, Kenzo foi o primeiro japonês a estabelecer-se como criador na capital da moda, abrindo espaço para mestres como Yohji Yamamoto, Issey Miyake e Rei Kawakubo. Ao contrário da obsessão ocidental em mostrar o corpo feminino, os asiáticos exibem uma estética do oculto que se orienta pelas formas geométricas do quimono. Enquanto no mundo ocidental o corte é pensado a partir da silhueta do corpo humano, os japoneses pensam nas linhas do tecido, desenvolvendo novas proporções que alteram o corpo, distanciando-o da realidade.

Em contraponto à estética da época – aquela da power woman com ombros enormes, cintura marcada e saltos altos –  Kawakubo com sua marca Comme des Garçons propôs uma desconstrução das roupas através de sobreposições, assimetrias, buracos e uma paleta de cores onde predominam os tons de cinza e o preto. No ar, uma certa poesia, uma delicadeza que, ao mesmo tempo em que era vanguardista, também remetia à modas antigas.

Mais de 20 anos depois, é interessante ver como os japoneses continuam mantendo um frescor em suas coleções e, em tempos de pouca ou nenhuma inovação, ainda conseguem demonstrar criatividade e causar estranhamento. A espera pelos seus desfiles sempre vale a pena.

Por trás de um aparente desleixo, Kawakubo desconstrói as peças para melhor reconstruí-las, é uma verdadeira arquiteta da moda, com um rigor absoluto. Suas roupas são uma perfeita comunhão entre a austeridade masculina e a delicadeza feminina. Na nova coleção primavera 2011, mais uma vez brincou com as sobreposições, proporções, com a estrutura natural das peças e abusou do contraste preto/branco, trazendo aspectos de composição diferentes que podem ser percebidos nas nuances.

Comme des Garçons a/w 93-94

Comme des Garçons fall 2002

Comme des Garçons spring 2011

Issey Miyake ficou conhecido por trabalhar com uma técnica de plissado que ele mesmo inventou e por ser um verdadeiro mestre do mix and matching. Combinar listras, estampas e cores parece a coisa mais fácil do mundo quando vemos uma coleção de Miyake. Além disso, suas roupas são consideradas as mais “usáveis” dentre as criações dos mestres japoneses, com tecidos e técnicas inventivas.

Issey Miyake 2001 collection

Coleção futuro-apocalíptica de Issey Miyake, de 2006

Issey Miyake spring 2011

Sou completamente apaixonada pelo trabalho de Yamamoto desde que assisti o documentário Identidade de Nós Mesmos, filme no qual o estilista conversa com o diretor Wim Wenders sobre o seu processo criativo e seus pensamentos a respeito da moda e do mundo. Com seu estilo neutro, formas amplas e referências que vão dos clássicos estilistas da alta-costura aos trabalhadores fotografados pelo alemão August Sander, Yohji busca incessantemente a elegância eterna. Na coleção primavera 2011, o estilista veio agressivo, no maior estilo rock and roll e com uma morbidez expressa na palidez dos rostos das modelos, em seus olhares perdidos, nos cabelos ensebados e  acessórios.  Por trás de toda a estranheza,  prevalece o corte impecável de Yohji. Ao final do desfile, deixa o seu recado em uma T-shirt: “This is me”. A real mensagem por trás dessa auto-afirmação continua um mistério para mim.

Yohji Yamamoto a/w 98/99

Yohji Yamamoto Spring 2011

Abaixo, uma entrevista com Mary Baskett, colecionadora de peças da moda contemporânea japonesa, que na época (2007, se não me engano) exibiu seu acervo no Cincinnati Art Museum. A exibição intitulada “Where Would You Wear That” mostra como, na verdade, por trás da imagem conceitual se escondem peças de roupa super usáveis.

Cincinnati Art Museum

3 Comentários leave one →
  1. outubro 5, 2010 6:08 pm

    Incríveis japoneses.

  2. Bárbara Melo permalink
    outubro 6, 2010 2:07 am

    Criatividade, Inovação e Acabamento Impecável. Esses japoneses são o ápice do “pensar moda” de maneira unica e original.

  3. outubro 7, 2010 6:48 pm

    Acho incrível a cultura japonesa, não só pelo lado da moda. É realmente fascinante!

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