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O louco amor de Yves Saint Laurent

outubro 24, 2010

Fui ao cinema ontem assistir O Louco Amor de Yves Saint Laurent (Yves Saint Laurent – Pierre Bergé, l’amour Fou, 2010) sem grandes expectativas. Afinal, o que, de novo, ainda pode ser dito a respeito de Yves Saint Laurent? Dos vários documentários feitos sobre o estilista, já tinha assistido Yves Saint Laurent, le temps retrouvé (2002), que conta com muitos depoimentos de amigos e familiares e imagens riquíssimas de arquivo.  Nesse novo filme, dirigido pelo estreante Pierre Thoretton, acompanhamos a narrativa sob a ótica de Pierre Bergé, seu grande companheiro e empresário durante 50 anos. E, para minha surpresa, o filme tem um arquivo de imagens ainda mais rico que o anterior, misturado com cenas mais recentes, como a de seu velório e a do “leilão do século”, em que Bergé vendeu a vasta coleção de arte que ele e YSL montaram ao longo de meio século.

O tom do documentário é de profunda melancolia, com longas e lentas panorâmicas dos lugares onde o casal viveu.  Destaque para a linda mansão em Marrakech, onde Saint Laurent costumava passar férias e se divertir com os amigos, cometendo seus primeiros excessos com drogas e álcool. O filme se concentra bastante nessa época, uma das mais conturbadas da vida dos dois, quando Bergé chegou a sair de casa e morar sozinho por cerca de um mês. A trilha sonora dramática, composta por Côme Aguiar, contribui com clima de pesar, pontuada por momentos de um silêncio desconcertante, mas necessário.

Sob a perspectiva de Bergé, o mito Saint Laurent toma uma nova dimensão, mais humana e frágil. Além dele, o filme conta ainda com depoimentos importantes de Betty Catroux e Loulou de La Falaise, musas e grandes amigas do estilista. Mas o que mais emociona e encanta é o arquivo em vídeo de Saint Laurent, que com seu jeito tímido e um ar de ingenuidade, fala de seus gostos, seu amor por Proust e sua vontade de “fugir de tudo”. Em um dos momentos mais marcantes, conta para um entrevistador que nunca se sentiu jovem de verdade e que jamais conseguiria recuperar esse tempo.

Enquanto registro da moda contemporânea, o filme é uma preciosidade: são muitas cenas antigas de desfile do tempo em que Saint Laurent era estilista da Dior até seu desfile de despedida, em 2002. Enquanto história de amor, vemos um casal de homens que mostrou ao mundo a nobreza desse sentimento e serviu de exemplo para uma geração.

Abaixo, o trailer do filme:

 

Quem estiver em São Paulo, ainda pode conferir o doc na Mostra Internacional de Cinema em três sessões. Confira os dias, lugares e horários aqui.

3 Comentários leave one →
  1. outubro 25, 2010 12:17 am

    Parece que todo filme de estilistas sabem transmitir uma melancolia desgracada. Gostaria muito que fizessem o do McQueen.

    Excelente texto.

  2. outubro 25, 2010 5:38 am

    Queria assistir, mas tô longe daí, como faz? :(
    Pois é, acabou que eu consegui migrar o conteúdo! Achei um tutorial que explicava direitinho, aí foi tranquilo :)
    Beijos!

  3. novembro 4, 2010 12:27 pm

    Ô coisa linda, chega dá um desalento.

    Bisous.

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