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Moda, tendências e identidade – o outro lado do duo

abril 30, 2010
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como nem sempre eu e aline escrevemos sobre as mesmas coisas, às vezes sobra uma opinião do outro sobre o mesmo tema que não constitui exatamente uma reflexão inteira, mas rende pelo menos um recorte interessante. é por isso que estamos inaugurando aqui a seção “o outro lado do duo”,  porque ela me pediu pra postar esse comment que eu fiz sobre esse post aqui.  nele, ela fala sobre um filme do Wim Wenders e  sobre identidade na moda.

leiam o texto dela antes e vamos ao que interessa:

eu acho simplesmente que a roupa é muito mais competente pra representar nossa identidade social do que nossa individualidade propriamente dita. muitas vezes caímos nessa armadilha da identidade como uma coisa idiossincrática, quando, nesse caso, a identidade é principalmente uma identidade social e, como tal, ela está submetida a convenções – por mais “estilo” que se tenha. se pensarmos a idéia de uniforme como “forma única” então ela se aplica a quase tudo (ainda mais pensando em termos de prêt-à-porter), estaríamos todos “uniformizados” mesmo. não dá pra comparar a liberdade de “ser” com a de “vestir”, pelo menos não falando em termos práticos e razoáveis. nem sei se a moda viria a ser um código rico ao ponto de podermos realmente expressar nossa identidade através dela. e, se viável, seria mesmo interessante? tipo, alguém ver sua roupa e poder ter já todo um discurso a seu respeito ( mais do que o que já se pode fazer hoje)? ainda imagino certos tipos de ignorância como uma dádiva!

os motivos dessa “descaracterização” das pessoas vêm tanto da competência da moda em emplacar, cada vez mais, um discurso hegemônico (ou pelo menos um certos número de discursos que compõem uma hegemonia), quanto da diluição da importância que antes se dava aos papéis que os indivíduos desempenhavam na sociedade. hoje as pessoas são mais identificadas por seus gostos e escolhas (tipo: emos, pagodeiros, manos, surfistas, patricinha, indies, playssons, hippies, BANDIDOS – rs – etc) do que por sua posição na sociedade. o que é estranhamente paradoxal é que, de certa forma, essas identidades nos pareçam mais vazias que as antigas.

NÃO TENHO A IMPRESSÃO DE QUE SEI DO QUE ESTOU FALANDO, MAS talvez fosse mais fácil  identificar a natureza do nosso diálogo, dentro dessa sensação de pertencimento, quanto menor fosse o número de tipos. já esse aumento da segmentação dos tipos urbanos pode ter oferecido mais possibilidades de reconhecimento e uma espécie de chance para a “adesão total” desses indivíduos, convertendo tudo em identidades talvez tão confortáveis quanto vazias – ou pelo menos repetitivas, eu acho.


3 Comentários leave one →
  1. maio 1, 2010 4:48 am

    O mais incrível – e aí sempre resgato a discussão sobre a década de noventa como constituinte da gente, jovens entre 20 e 30 anos – é que os movimentos de ações afirmativas de grupos identitários tidos como minorias desiguais se fundou e teve força aí. Tempo de fanzines, criações de ongs, riot girls. Ali, quando não há amparo social como utopia, ideologia, a identidade desigual cumpria ainda uma função.
    Mas identidade como um constructo cheio, como forma, corpo, consistente, é o que menos existe hoje. Carrego a discussão pra a neo-modernidade (mais do mesmo, com especificidades) porque na contramão de todo e qualquer esfacelamento de laço social, os pequenos guetos se constituem hoje como microguetos virtuais (blogueiros de moda, redes sociais, etc), quase uma manifestação, um apelo, ao vazio do outro, do contato, da comunidade.
    Kathleen Hanna compara os fanzines aos blogs hoje em dia, ressaltando uma coisa: hoje não se escreve nome, não há autoria, é tudo efemero demais.

  2. maio 1, 2010 4:49 am

    E uma reflexão inteira não cabe num blog. E o Outro foi foda, ein?

  3. alinebotelho permalink*
    maio 1, 2010 10:04 am

    Foi bom esse adendo porque quando eu falei em identidade lá no outro post eu estava pensando em identidade social mesmo, achei que era meio óbvio, mas era melhor ter deixado isso claro. Que bom que o outro lado do duo me completa rs

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