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O futuro dos desfiles de moda

março 4, 2010

Eu demorei um pouco pra fazer esse post tentando encontrar livros e textos que falassem especificamente da história dos desfiles, a fim de entender como viemos parar nessa era de transmissão pela internet. Acabou que eu não encontrei muita coisa sobre o assunto em português, a não ser os incríveis textos do Alcino, no blog Última Moda da Folha, onde ele fala desde o surgimento do primeiro desfile, no final do século 19, feito pelo costureiro britânico Worth, até os experimentos do Showstudio, comandados pelo fotógrafo e diretor artístico Nick Knight.

Acontece que aqui no blog a gente sempre optou por tratar mais do fenômeno moda e das suas relações com a cultura pop, que é a parte da coisa que mais nos encanta, do que dos desfiles em si, que são para nós apenas uma pequena parte disso. Porém, esse é um assunto que exerce particular fascínio sobre mim dos pontos de vista histórico e evolutivo. E a verdade é que eu ando bastante entusiasmada com a difusão online dos grandes desfiles e com as possibilidades de mudança em seu formato.

Nessa configuração de mundo em que vivemos, com sucessivas transformações na forma como a moda é entendida e apropriada pelas pessoas, não me parece fazer mais sentido todo esse senso de exclusividade dos fashion shows e a mitologização em torno deles. As semanas de moda, como bem aponta Alcino, ainda semeam muitas das práticas do tempo em que os desfiles eram acontecimentos privados, realizados, de preferência, dentro das suas maisons: “o hábito de a modelo desfilar na frente de pessoas sentadas em cadeiras, a ideia do convite em papel (e o RSVP – Repondez s’il Vous Plaît, ou seja, a confirmação da presença), a mitologia da “primeira fila” (onde estão os principais convidados), a sensação de privilégio que reina na plateia das salas e mesmo o comparecimento final do estilista na passarela, para agradecimentos, etc”.

As fashion weeks nessa temporada marcaram uma mudança essencial nessa lógica, quando algumas das principais grifes deram a oportunidade de qualquer pessoa assistir aos desfiles, precisando apenas acessar os devidos sites oficiais no horário marcado. As transmissões ainda não seguem o padrão ideal, algumas inclusive foram bastante falhas (a da Prada eu nem consegui ver), mas já atentam para um tempo em que talvez não seja mais necessária a presença física no evento.

Chamou-me especial atenção o desfile da Burberry, onde as pessoas podiam também fazer comentários em tempo real através do twitter, numa espécie de live chat que funcionou concomitantemente à projeção. De repente, o desfile se tornou um evento comentado e a marca ganhou um retorno instantâneo sobre a nova coleção vindo diretamente do público.

Acho que as novas formas de expressão para a moda e os desfiles, possibilitadas pelas novas tecnologias, podem ser um bom caminho para minimizar o descompasso entre a importância que a indústria dá às semanas de moda e a importância que elas realmente têm para o público.

No mais, deixo aqui um pouco dessa evolução nas formas de representação das coleções de moda, que parece dizer muito sobre a época em que elas se inserem.

Da magia dos vídeos experimentais do space-age dos anos 60 e 70:

À efusividade dos espetáculos fashion dos anos 80 e 90:

À seriedade dos desfiles do final da década de 90 que permanece até hoje:

Aos novos experimentos que podem apontar para o futuro das apresentações:

4 Comentários leave one →
  1. março 4, 2010 6:56 pm

    Muito interessante o post, super bem ilustrado com os vídeos incríveis no final! Parabéns!

    Beijo!

  2. Fernanda permalink
    março 9, 2010 9:45 pm

    Muito bom seu post, super bem estruturado, parabéns!

    Eu sou, em particular, totalmente fascinada por desfiles de moda, gosto de delirar com alguns desfiles, de me decepcionar com outros, de criticar. É uma parte da cultura da moda que eu mais amo, pena que é limitada e curta.

  3. agosto 22, 2015 10:04 am

    Horrível! Sem a presença física das pessoas? qual será a graça? A graça dos desfiles de moda é exatamente esta: De invejar quem pôde comparecer; De sonhar em estar pessoalmente lá um dia. E mais: A tecnologia não representa o ser humano, uma projeção não representa a mulher. NADA, absolutamente NADA substitui a presença da modelo nas passarelas. Será uma desgraça, uma tragédia e um desastre se algum dia realmente a tecnologia queira substituir a presença da modelo por simples projeções e queira também deixar disponível para o mundo todo ver. Onde estará a graça? onde estará a magia? onde estará o sentido dos desfiles? Na minha humildade opinião, a evolução da tecnologia destruirá o valor da moda mundial.

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  1. uberVU - social comments

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