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R.I.P. Alexander McQueen

fevereiro 11, 2010

A notícia da morte de Alexander McQueen na tarde de hoje (11/02) deixou o mundo da moda devastado.  Deprimido após a perda de sua mãe,  que morreu na semana passada, o estilista, que estava agora com 40 anos de idade, suicidou-se. Pra mim, foi quase como a perda de uma pessoa próxima, de tanto que eu admirava o trabalho dele. Mcqueen era um daqueles que nos fazia acreditar no futuro da moda e no seu poder inesgotável de inovar. Sem dúvida, uma perda irreparável.

Seus desfiles eram sempre um alento pra minha visão fashionista entediada de ver tanta mesmice nas passarelas. Me lembro como se fosse hoje a emoção que eu senti ao ver o vídeo de seu último desfile, da coleção primavera 2010, e como aquilo me fez perceber que a moda ainda podia me surpreender. Alguns de seus shows, mesmo sem nunca tê-los visto ao vivo, foram capazes de me provocar um arrebatamento estético que nem  alguns dos mais belos quadros renascentistas jamais me provocaram. Meu coração batia mais forte. Ele entendia como ninguém o quanto a moda é um meio de expressão dotado de artisticidade, capaz de, mais do que criar simples peças de roupa, mudar a nossa visão de mundo.

É bastante difícil encontrar na web fotos dos primeiros desfiles de Mr. McQueen, mas mesmo assim vou tentar fazer aqui uma retrospectiva imagética da  sua importância na moda nessas últimas duas décadas (que serve também pra demonstrar toda a minha admiração pelo seu legado).

Bjork vestida de Alexander Mcqueen na capa do album Homogenic

Alexander McQueen (1969-2010) começou sua carreira com 16 anos, como aprendiz  na Anderson & Sheppard, sediada em Savile Row. Mais tarde, trabalhou na Bermans & Nathan, especializada em roupas de teatro. Depois, o estilista britânico criaria modelos para Koji Tatsuno, em Tóquio, e para Romeo Gigli, em Milão. Aos 22, diplomou-se no St. Martin’s College of Art & Design com uma das coleções mais inovadoras e independentes jamais vistas. Em 1994, Isabella Blow (sua grande amiga que se suicidou há três anos atrás) comprou essa tão falada coleção, que apresentava calças bem descaídas, os chamados bumsters, e McQueen lançou sua própria marca. Seu debut nas semanas de moda aconteceu durante a temporada primavera/verão 1994 com criações como essas:

Os bumsters do então novo enfant terrible da moda foram mostrados ao mundo na coleção outono/inverno 1994/1995:

No outono/inverno 1995, McQueen continuou sua política radical de choque e rebeldia com a polêmica coleção Highland Rape, que mostrava modelos com roupas rasgadas.

Em 1996, foi escolhido como sucessor de John Galliano na Givenchy, onde passou 4 anos e meio. Com uma técnica cada vez mais elaborada, e desfiles cada vez mais teatrais, McQueen se tornava conhecido por evocar complexas narrativas e poderosas imagens que combinavam beleza e glamour com violência e agressividade. Na coleção La Poupee, da temporada primavera/verão 1997, uma modelo negra tem seus movimentos restringidos através de uma estrutura de metal presa a seus braços e pernas.

Sua coleção outono 1998 causou ainda mais controvérsia ao mostrar a modelo Aimee Mullins com membros amputados, andando com duas pernas de madeira.

Aimee Mullins, Dazed & Confused, Access-able, Setembro de 1998

Para a coleção outono/inverno 1999/2000, McQueen trabalhou com um de seus maiores parceiros, o joalheiro Shaun Leane. Inspirado pelo filme “O Iluminado”, de Stanley Kubrick, foi criado um cenário congelante com por muita neve, compondo um clima delicado e romântico.

Na coleção primavera/verão 1999, ele surpreendeu mais uma vez ao colocar dois robôs espirrando tinta no vestido branco de uma uma modelo. Uma rara obra de arte.

Mais espetáculo nas coleções outono/inverno 2001 e primavera/verão 2002: na primeira, uma celebração circense macabra, na segunda, uma tourada espanhola.

Em 2006, realizou o icônico desfile que trazia uma projeção holográfica da musa Kate Moss flutuando, para sua coleção outono/inverno:

Na coleção primavera 2009, tivemos uma prévia do que estaria por vir para 2010:

Na coleção outono 2009, fomos surpreendidos por uma inteligente e assustadora sátira da alta moda:

E chegamos aqui, com Mcqueen ainda no auge e mais genial do que nunca, usando mais uma vez a tecnologia em favor da moda:

Lady GaGa veste Mcqueen primavera 2010 no clipe de Bad Romance

Além de showman, Alexander Mcqueen era conhecido pela excelência da sua costura e modelagem. Ganhou em 1996, 1997, 2001 e 2003 o  prêmio British Designer of the Year; ainda em 2003 o International Designer of the Year (CFDA Award) e o A Most Excellent Commander of The British Empire (CBE); e em 2004 o British Menswear Designer of the Year.

**As imagens mais antigas dos desfiles de McQueen foram tiradas daqui: www.contemporaryfashion.net

5 Comentários leave one →
  1. fevereiro 12, 2010 12:30 pm

    Trajetória ótima que vc selecionou no post..
    Ele era um grande gênio, uma perda e tanto pra indústria da moda…

    Beeijos

  2. fevereiro 12, 2010 7:55 pm

    Nossa, não sabia. Tô sabendo por aqui. Realmente uma perda enorme! RIP

  3. Ju Fraga permalink
    agosto 25, 2010 5:01 pm

    Maravilhoso esse seu post sobre ele, muito informativo e cuidadoso em relação as informações e imagens. Adorei! Vale apena passar pra quem não sabe um pouco da vida desse genio! Parabéns pela escolha!!!!

  4. setembro 22, 2010 1:40 am

    valeu pelo post, não conhecia o desfile no “circo”. vídeo sensacional!

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