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All that glitters

dezembro 6, 2009

Cena do filme Velvet Goldmine, um dos melhores retratos do glam rock

Uma das ligações mais estreitas e bem sucedidas entre música e moda aconteceu no início da década de 70, na Inglaterra, com o estouro do que veio a se chamar glam rock. Também conhecido por glitter rock, o estilo é caracterizado não tanto pela junção de bandas que seguiam a mesma proposta musical, mas muito mais pela forma como as bandas se apresentavam. Em contraposição ao despojo do movimento hippie, o glam é a epítome  do exagero. Para uma apresentação, eram comuns roupas com muito brilho e paêtes, muita maquiagem, cabelos armados e, muitas vezes, botas com salto plataforma.

Apesar da principal característica do glam ser a estética exagerada, o movimento, se é que podemos chamá-lo assim, foi também bastante prolífico musicalmente. Roxy Music e David Bowie, na época do Ziggy Stardust, mostraram que era possível se preocupar com o visual e também fazer boa música. Claro que, aproveitando o sucesso que bandas como T-rex e Sweet estavam fazendo, muita gente resolveu pegar carona e virar glam também, o que de alguma forma contribuiu para que o glam historicamente seja considerado um estilo mais ligado à moda do que à música. Também a proliferação de bandas na época tornou difícil classificar quem era glam e quem não era, o que acabou colocando bandas de estilos totalmente diferentes, como Alice Cooper e Queen, no mesmo rótulo, só porque os dois usavam maquiagem. Para além do simples uso de maquiagem, o glam tinha um visual bastante definido e até uma sonoridade própria, algo que misturava o hard rock da época com sons futurísticos nunca antes vistos.

As roupas eram bastante inspiradas em todo o imaginário da época sobre o futuro após o homem ter pisado na lua, em 1969, no space age dos anos 60 e nos filmes de ficção científica, notadamente 2001, de Stanley Kubrick. Para dar vida à Ziggy Stardust e para a tunê do álbum Alladin Sane, de 1973, Bowie chamou ninguém menos que o designer avant-garde Kansai Yamamoto, responsável, entre outras coisas, por peças fantásticas como essa aqui:

Além disso, ele recriou o clássico quimono e o transformou em uma das peças mais fashion de todos os tempos:

Mas o maior designer da época do glam rock foi Antony Price, conhecido por seus sofisticados e glamourosos vestidos de noite, transformando as mulheres em femme fatales. Price foi o responsável pelo figurino e por todas as capas do Roxy Music, criando a imagem que combinava perfeitamente com o som da banda, uma espécie de cabaret meets futurist pop.

Capa de Siren, de 1975, também com Jerry Hall

Capa de Siren, de 1975, com Jerry Hall

Capa do primeiro álbum do Roxy Music, de 1972, com a pin-up Kari-Ann Muller

Capa do álbum For Your Pleasure, de 1973, com a modelo Amanda Lear

Capa de Country Life, de 1974, com as modelos Constanze Karoli e Eveline Grunwald

Capa do álbum Country Life, de 1974, com as modelos Constanze Karoli e Eveline Grunwald

Capa de Stranded, de 1973, com Jerry Hall

Capa de Manifesto, de 1979, com várias modelos de plástico e tipografia da letra inspirada na primeira edição da revista BLAST

Abaixo, a banda no encarte do primeiro álbum. A imagem estilizada fez com que o crítico musical Lester Bangs chamasse a banda de “o triunfo do artifício”.

Price também trabalhou com Bryan Ferry em sua carreira solo, com Bowie e foi o responsável pela capa de Transformer, álbum de Lou Reed produzido pelo camaleão do rock e que flerta com o glam.

Capa e contracapa de Transformer, de Lou Reed

Depois do glam, Price enveredou pelo new wave, sendo responsável pela imagem da  banda Visage e pela capa e videoclipe de Rio, do Duran Duran. O desginer está até hoje na ativa e recentemente lançou uma linha excluviva para a Topman.

Não foram poucos os artistas influenciados pelo glam rock. Nos anos 80, surgiu o “hair metal”, uma espécie de desdobramento do glam, também caracterizado pelo exagero dos figurinos, só que dessa vez com muito menos conceito e, diga-se, qualidade. O hair metal acabou sendo apelidado de metal farofa pela forma como eles pareciam uma paródia das bandas de heavy metal da época, com um som similar, mas uma imagem muito mais pop e divertida.

New York Dolls: uma das maiores influências, em termos de imagem, para o hair metal

Motley Crue: qualquer semelhança com o New York Dolls não é mera coincidência

Nos anos 90, também houve um movimento neo glam encabeçado pelo Placebo e seu vocalista, Brian Molko, fã confesso de David Bowie e Roxy Music.

Brian Molko: glitter boy moderno

Pois é, Lady Gaga ainda tem muito o que aprender!

3 Comentários leave one →
  1. dezembro 7, 2009 6:43 pm

    Lady gaga, meu amor… vocêm precisa comer MUUUUUUUUITO arroz com feijão, tsá? hahaha
    adorei o post!
    beijo

Trackbacks

  1. Sobre roupas, sexualidade e androginia « /duodeluxo
  2. Olympia « /duodeluxo

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