Skip to content

Uma ode ao preto

dezembro 1, 2009

Para além da utilização de materiais mais confortáveis, como o jersey, na confecção de roupas e de ser a primeira estilista a não querer apenas vender novas silhuetas, mas também uma filosofia de vida, uma das maiores contribuições de Coco Chanel para a moda foi a criação de um simples vestido preto (o famoso pretinho básico). Não que outros estilistas já não tivessem feito vestidos pretos, mas foi Chanel quem instaurou a cor (ou não-cor) como fundamento. De repente, todo mundo se deu conta do poder do preto, da sua capacidade de esconder imperfeições e da forma como a cor passa uma ideia de elegância discreta.

O vestido preto se tornou, então, peça indispensável no guarda-roupa de toda mulher. E nenhuma imagem é mais simbólica do que Audrey Hepburn vestindo esse indefectível traje em Bonequinha de Luxo, de 1961.

Sobre essa cor mágica, nunca li nada tão lindo quanto o que Christian Lacroix uma vez escreveu:

“O preto é o início de tudo, o ponto de partida, a silhueta, o recipiente depois o conteúdo. Sem as suas sombras, o seu relevo e a sua proteção, parecer-me-ia que as outras cores não existem. O preto é ao mesmo tempo soma de todas as cores. É volúvel, cambiante, nunca é o mesmo. Existe um número infinito de tons de preto: o preto suave das roupas transparentes, preto apagado e triste do crepe de luto, o preto nobre e profundo do veludo, o preo profuso do tafetá ou o preto forte da seda, o preto esvoaçante do cetim, o preto oficial e alegre do verniz. O preto faz que a lã pareça carvão, dá ao algodão um ar rústico e confere aos tecidos novos um toque insinuante.

(…) Deve acrescentar-se que o preto é um pilar do Sul, uma presença calmante, algo evidente: já falei com frequência sobre os matizes sutis do preto (como nos quadros de Frans Hals ou Velásquez), dos hábitos das freiras arlesianas da minha infância, aos quais o sol arrancou reflexos diversos – afirmaria até que o preto tem um aroma que se liberta dos tecidos quando expostos ao sol. Podia dizer-se o mesmo do preto do touro para cuja pele os aficionados entusiastas têm adjetivos poéticos. Ao contrário do branco, o preto é “penetrável”. Numa pequena mancha preta , há densidade, prazer, um mundo inteiro. E custa resistir ao preto tirado dos tubos de guache espremidos, ao preto de carvão que transborda da lata de tinta acrílica ou ao da tinta-da-china que mancha os frascos ou ao preto de qualquer outra parte. Tem-se vontade de lhe tocar, de o espalhar com pincéis ou até mesmo com as mãos . O preto é tanto matéria como cor, é tanto luz como sombra. Não é triste, nem alegre, mas sim allure e elegância, perfeito e indispensável. Tal como a noite, é irresistível. As crianças não deviam temer o preto, porque se o seu mistério as assusta, é porque nele podem obter a resposta aos seus próprios segredos”.

Depois disso, a única coisa que nos resta fazer é nos rendermos à superioridade do preto.

Lara Stone vestida para matar

One Comment leave one →
  1. dezembro 1, 2009 9:49 pm

    preto é tudo. Meu armario é praticamente black total. Quando tem uma corzinha, é vermelho, cinza e branco. mas muuuuito pouco. hehehehe

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: