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antimoda?

abril 9, 2009

Já tem algum tempo que eu estava querendo escrever sobre esse assunto, mas eu sempre achei ele tão complexo que fui enrolando. Só que hoje a Daspu lançou uma loja virtual com o incrível nome de “putique” e eu não poderia deixar de aproveitar este ensejo.

Vou tentar partir de um ponto de vista fenomenológico para analisar essas lojas que vivem numa realidade totalmente particular, alheia aos ditames da moda e às suas tendências. Certamente, a loja mais conhecida do tipo é a Daspu, formada por prostitutas da ONG Davida, no Rio de Janeiro, em 2005. O nome Daspu já é totalmente genial, né? Criar um nome que ironiza a maior butique de luxo do Brasil não é pra qualquer um. Além disso, a loja tem todo um compromisso social de dar dignidade a profissão de prostituta e fazer com que as pessoas tenham mais respeito por elas e sejam menos hipócritas.

Mas o que eu acho mais interessante em relação a isso tudo é como essas lojas criam uma espécie de antimoda totalmente inovadora. Se na alta moda os valores são a elegância, a discrição e tecidos “nobres”, na moda das “putiques” os valores são o completo oposto disso. A moda é roupa colada no corpo, decotes mais que provocantes e lycra, muita lycra. Nos desfiles, nada de mulher alta e magra, mas sim mulheres mais voluptuosas, não importando se estão acima do peso ou se tem celulites e estrias.

Segundo Daniela Calanca, no livro História Social da Moda, “tornando absoluta a distância em relação a tudo o que é conforme à regra estética e moral, o elemento central da antimoda consiste na referência a ideais, valores e concepções da existência radicalmente opostos aos padrões vigentes. É um fenômeno que assume formas e temas de diversas fontes culturais, como a indignação contra o utilitarismo, naturalismo salutar, protestos feministas, ceticismo conservador, a ‘desidentificação’ das minorias e a afronta da contracultura”.

No caso da Daspu, eles se inspiram no universo da prostituição para criar suas roupas. Mas o que dizer então da loja Ropahrara? Não sei exatamente no que eles se inspiram ou se eles simplesmente revendem (mas de onde poderia vir isso?), mas não podemos negar a total coerência de estilo das roupas. Macacões de veludo, calças de lycra, tudo para transformar a mulher na verdadeira Mulher Melância (inclusive no site diz que ela usa Ropahrara!!).

Daí se formos refletir isso acaba que se tornando um estilo que tem suas características próprias, suas silhuetas e caimentos definidos. E tudo isso acaba se configurando meio que em uma resistência à indústria da moda, um movimento underground quer queira ou não.

A diretora de marketing da Daspu já disse até que a loja ganhou um status cult, que não é só prostituta que veste roupa da loja, mas muitas mulheres de classe média também. Ainda disse: “Afinal, hoje em dia, as patricinhas mesmo se vestem como as prostitutas”. E não é, mesmo?

E mais: será que esse universo de roupas “exóticas” não tem tudo a ver com o que de fato seria uma moda brasileira? Uhm…

5 Comentários leave one →
  1. Stuart permalink
    abril 13, 2009 7:38 pm

    Aline,esse post ta incrivel.Adoro Daspu (ja falei muito sobre elas no MyPreview),coisas da moda pra pensar….gde beijo, Stuart

  2. Anonymous permalink
    abril 14, 2009 2:33 pm

    Complementando, tem também o Clubwear – roupas para a balada, com forte apelo sensual, porém sem vulgaridade. É novidade no Brasil, só conheço uma loja que vende, a Kula (www.kula.com.br), mas no exterior é bem conhecido.

  3. Aline permalink
    abril 14, 2009 4:47 pm

    A ropahrara é bem estilo clubwear mesmo, não conhecia o termo, obrigada pelo adendo informativo ;)

Trackbacks

  1. “moda de rua” « /duodeluxo
  2. E agora, o que é antimoda? « /duodeluxo

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