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Cathy Horyn e a crise

abril 1, 2009
Vou aqui dar meu pitaco também sobre o assunto do momento na moda: o post que Cathy Horyn escreveu em seu blog sobre a inauguração da Topshop em Nova York e a crise. Mas quero pensar um pouco mais sobre como as coisas se configuram aqui no Brasil…

No texto, a jornalista fala de como se sente incomodada quando ela vê um artigo declarando o “fim do excesso”, porque ela sabe que muitas pessoas já vivem de maneira mais simples, seja por necessidade, seja por escolha consciente mesmo. Então ela se pergunta para quem esse discurso é voltado. Daí ela começa a falar de como a indústria da moda vai sofrer uma significativa mudança, principalmente as publicações de moda, e como as pessoas tendem a se tornar mais seletivas não apenas ao escolher o que vão vestir, mas também o que vão ler.

Não há dúvidas de que a moda vai precisar repensar suas estratégias e a própria noção de valor e consumo. No entanto, tenho lá minhas dúvidas sobre até que ponto a crise está realmente afetando a indústria da moda.

A verdade é que as coisas aqui no Brasil são bastante diferentes. Não dá para simplesmente transplantar o que está acontecendo lá fora para a nossa realidade (como tem ocorrido com frequencia nos textos sobre moda no Brasil), porque, entre outros motivos, os efeitos da crise aqui estão sendo muito menores. Além disso, se vestir com roupas “de marca” sempre foi uma realidade para poucos, não é mesmo? Se lá fora as pessoas estão comprando mais em lojas de departamento porque o dinheiro está curto, aqui, comprar nesses tipos de loja sempre foi muito natural para a maioria dos brasileiros porque o dinheiro sempre foi curto. Por isso, sempre acho muito estranho ouvir se falar tanto sobre os efeitos da crise na moda brasileira. Realmente não sei se o público que consome roupas de grandes marcas (classes A e B) estão deixando de consumi-las. É necessário investigar melhor o assunto antes de se partir para qualquer conclusão.

É bom que a crise esteja sendo usada para que estilistas pensem em formas de criar peças mais baratas e acessíveis, mas sem comprometer as especificidades da marca e nem a criatividade. Bom também que nos Estados Unidos pelo menos as pessoas podem recorrer a lojas de departamento de boa qualidade, com roupas super na moda.

Aqui as opções sempre foram parcas, mas acho que estão melhorando. Se você garimpar bem dá pra encontrar coisas ótimas em lojas como C&A e Riachuelo. Sempre fizemos isso, né. Com ou sem crise.

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