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NY e a moda consumada

fevereiro 18, 2009


Se fossemos caracterizar algumas semanas de moda através de uma única idéia, eu diria que a semana de moda de Paris é a antecipadora de tendências por excelência, a de Londres é a mais avant-garde e a de NY é a semana da moda consumada.

Para Lipovetsky, a moda consumada representa o último estágio de evolução da moda e, consequentemente, da democracia. Após a moda de cem anos, que é como é chamado o período da criação da figura do estilista e da alta costura até a consolidação do pret-a-porter, nos anos 60, a moda foi criando cada vez mais força e tomando conta dos mais diversos aspectos da sociedade. O império da moda é, então, responsável pelos preceitos que regem o modelo de sociabilidade característico do mundo ocidental. Assim, a busca do novo, a frivolidade, a vontade de se auto diferenciar e o prazer no consumo passaram a ser valores dominantes.

Das qualidades principais da moda consumada, a semana de NY pega um item essencial: a do faça você mesmo. Nessa edição em especial, dá para observar como há uma grande variedade de estilos, mesmo que nenhum deles seja realmente novo. A moda de NY não está muito preocupada em lançar tendências, mas ao mesmo tempo oferece um leque de escolhas bastante grande para o consumidor. Ela é uma boa representante do momento em que vivemos, quando as semanas de moda não ditam mais de forma dura e vertical o que as pessoas devem vestir. Pode-se observar como as coleções induzem muito mais as pessoas a se apropriarem apenas de alguns elementos que lhes convêm para a criação de um estilo próprio. O individualismo e as pequenas diferenciações são predominantes. A semana de moda de NY materializa como ninguém o presenteísmo.

Até agora, nenhuma coleção me impressionou em termos de novidade, mas em compensação os desfiles, no geral, foram todos bastante corretos em termos de consistência e coerência. Gostei bastante da nova coleção do Marc Jacobs, que começou meio morna, mas que do meio pro final deu uma grande reviravolta, com uma incrível explosão de cores vibrantes. O estilo anos 80 dele ficou muito bem resolvido. Miss Sixty também foi legal, com uma coleção bem jovem rock and roll.

É meio tédio ver tanta coisa e tão pouca novidade, mas pensando do ponto de vista da autonomia individual talvez este seja um ponto positivo. Há possibilidades e bons meios de transitar entre os mais diversos estilos. Agora o trabalho criativo, mais do que nunca, está muito mais por conta do consumidor do que do criador. Este é o momento do it yourself da moda.

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