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Grand finale

janeiro 24, 2009

Acabou mais uma edição da SPFW e o que fiquei pensando é que temos poucas coisas boas, mas pelo menos essas poucas coisas são realmente boas. Vou comentar os melhores desfiles desse último dia e fazer um balanço geral do evento.

Eu adorei a nova coleção da Glória Coelho com o tema *duquesa abduzida por et* (muito bom esse nome). Acho ela sempre ótima, moderna e consistente. Dessa vez ela criou vestidos vaporosos com volumes nas costas, amplas aberturas nos braços na altura do cotovelo e capas em matelasse.

Tenho que dizer também que a Neon me cativou com aquele desfile lindo, fazendo referência a alta costura dos anos 50. Ai gente, que coisa rica! Eles conseguiram resgatar o charme e a feminilidade tanto através das roupas que valorizavam a silhueta longilínea, como também através das poses das modelos. As saias estruturadas, os vestidos justíssimos de tricô e as estampas eram lindos de morrer. Fechou a SPFW com chave de ouro.

A coleção masculina do Herchcovitch, inspirada no “sentimento nostálgico dos marinheiros” tava bem simples, mas também muito boa. Tô curtindo essa fase clean dele, com coleções mais enxutas e diretas. Não devemos deixar de comentar que ele é o único estilista na SPFW que ainda apresenta uma coleção masculina separada da feminina, acho isso muito importante.

Sobre o evento, não achei que foi de todo um tédio. As coleções boas sempre me deixam otimista e eu realmente acredito que a moda brasileira tem melhorado. Porém há alguns problemas pontuais que precisam ser ditos.

Um deles é a existência de marcas que estão lá só pra mostrar sua nova coleção para seus compradores. Não tô defendendo arte pela arte nem nada disso. Sei que todo mundo precisa vender e roupas são feitas para serem usadas. Mas quando a marca assume apenas esse lado, e passa coleções e coleções sem avançar nada, não há necessidade de se apresentar em um evento de tamanha proporção como a SPFW. Afinal de contas, é ali onde a moda brasileira se mostra para o mundo e o que fica parecendo é que não temos muita coisa para mostrar. Essas marcas poderiam muito bem fazer um evento interno apenas para seus clientes e quem mais tivesse interesse. Acho muito mais prático, dada a total irrelevância de marcas como a Colcci para o mundo da moda. Elas enfraquecem muito o evento e acabam criando uma certa monotonia por, na maioria das vezes, não criarem nada novo ou destacável. O pior é que depois você vai nessas lojas e as roupas que foram apresentadas no desfile nem estão lá. Então o desfile acaba não sendo relevante nem pro mundo da moda nem pro comprador.


Outra coisa problemática é o fato de poucos estilistas conseguirem realizar bem o tema proposto. Chega a ser engraçado ouvir o responsável pela coleção falar de suas inspirações para o desfile, porque as referências as vezes são tão jogadas que parecem até pretexto. Esse é o problema de o tema servir como bengala para a coleção, quando deveria apenas ser um ponto de partida ou de chegada. Tipo o tema da festa de Parintins da Cavalera que pra mim não colou. As coisas são assim bem óbvias: já que o tema é esse, vamos então colocar umas estampas que remetem ao tema ali, fazer um lado azul e o outro vermelho e pronto. Não posso considerar um desfile assim bem sucedido, por mais que tenham algumas peças boas perdidas entre tantas. Não sei se é falta de criatividade ou inteligência mesmo para pensar numa referência e saber usá-la bem. Só sei que pouca gente consegue fazer isso e eu admiro muito quem consegue.

A Cavalera tem me decepcionado particularmente por ter perdido a sua criatividade nessas últimas coleções. Até um tempo atrás ainda era tudo muito novo e divertido, mas a piada tem perdido a graça. É como aqueles filmes de paródia como Todo mundo em pânico, sabe? O primeiro é muito legal, mas o segundo já não é tanto e o terceiro não tem mais graça nenhuma. A Cavalera tem sofrido disso. Era legal quando eles abusavam de referências da cultura pop e faziam uma coleção inteligente em cima disso, mas agora esses códigos já foram por demais utilizados e decodificados e acabaram perdendo a força. Como a Maria Prata bem disse (e eu também já tava achando isso), a moda jovem está em crise.

Do lado bom, tem todos os estilistas que citei aqui que fizeram boas coleções e que são os responsáveis por fazer a moda brasileira andar um pouquinho mais pra frente. Tem outros estilistas que fazem bons trabalhos (André Lima, Fause Haten), só não comentei por não ter achado suas novas coleções tão importantes, mas só o mérito de saber realizar bem suas funçôes já é uma boa coisa.

No geral, acho que o balanço foi positivo e a semana de moda tem se tornado mais consistente. Estamos ainda aprendendo a fazer isso bem e a ousar mais.

One Comment leave one →
  1. Anonymous permalink
    janeiro 27, 2009 6:10 pm

    http://vodcabarata.blogspot.com/

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