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Cegueira fashion

janeiro 22, 2009

Vamos lá, a SPFW já está chegando na sua reta final e eu ainda tenho muitas coisitas para comentar.

Todo mundo saiu falando que o desfile da Ellus foi um tédio, que não dava pra ver direito porque tava muito escuro, que foi muito lento etc. Bom, eu vi da tv e gostei bastante. A homenagem ao índigo, coisa que a Ellus sabe fazer muito bem, ficou bem bonita. Eles resolveram fazer uma alusão aos primórdios da peça, quando ele era usado eminentemente por mineradores. Daí eles apresentaram uma coleção repleta de jeans sujos, brutos e com modelagem bem masculina. A Agyness só acrescentou. Ela super combina com esse estilo, achei cool.

A Priscilla Darolt apresentou outra coleção bastante arrojada, dessa vez para a Animale, que trouxe a top number one Raquel Zimmermann. A marca fez uma boa pesquisa em torno de novos materiais e apresentou como destaque tecidos que mudam de cor de acordo com a temperatura do corpo. Não é nada muito novo, mas as roupas ficaram modernas e muito bem feitas. Adoro os casacos que acompanham a musculatura humana, ficando completamente armados no corpo (o roxo era bonitão).

Agora para demonstrar como uma coleção “conceitual” não é o suficiente (e nem o importante) para se fazer um desfile realmente bom, temos a marca OESTUDIO. Sei que todo mundo vai elogiar horrores por causa de toda a filosofia derramada ali, mas tudo bem. Confesso que logo fiquei de má vontade quando ouvi o coletivo falar que o desfile tinha como tema a crise, a cegueira real e social. Mas pensei: ok, vamos só ver o que vai acontecer. Para dar vida ao tema eles criaram peças que podem ser vestidas de várias formas, tipo com a frente para as costas, a cabeça virada pra baixo e tal. Agora vamos combinar que isso pouco tem a ver com cegos, né? Deficientes visuais têm sensibilidade para saber coisas como o lado certo das roupas. E fazer uma crítica à cegueira social usando isso também é muito chato. Tipo a inspiração foi apenas um pretexto para brincar com a forma como lidamos com a vestimenta. O tema seria melhor realizado se a escolha fosse brincar com as diferentes texturas (eles até fizeram isso em algumas partes), o que faria muito mais sentido. Tinha umas roupas bem legais, mas fiquei tão obnubilada pelo tema que não consegui prestar tanta atenção. Depois ainda vem Lilian Pacce na tv dizer que a coleção foi boa porque fez a gente refletir sobre o avanço na moda para cegos (tipo, q?). Não sabia que cegos se vestiam diferente do resto das pessoas, ok? E nem sabia que fazer refletir sobre algo torna um desfile bom (e as roupas eram boas?). Mas acho que esse comentário serve de forma metafórica, porque só sendo cego pra vestir aquilo (he!). Desculpem, tô meio piadista hoje.

Depois volto com mais.

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